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escolha do cônjuge: influência dos Esquemas Iniciais Desadaptativos

Atualizado: 17 de Abr de 2018

Quando duas pessoas se unem para formar um casal, cada uma leva para o casamento um conjunto de crenças construídas ao longo de suas vivências com a família de origem. Nesse aspecto, a terapia cognitivo-comportamental de casais tem vários pontos de convergência com a abordagem sistêmica. Dentre eles, a premissa de que as famílias funcionam de acordo com seu sistema de crenças passado de geração para geração (Mc Goldrick & Randy, 1985; Papp, 1992). Tais crenças influenciam a forma de pensar e de sentir, guiando os comportamentos de cada membro do grupo familiar e contribuindo para a formação das estruturas cognitivas (esquemas).


A escolha do cônjuge é ponto fundamental para a abordagem do casal em terapia. A escolha não se dá ao acaso, ela é direcionada para satisfazer demandas pessoais, tanto conscientes como não conscientes, para confirmar crenças precoces quanto a si mesmo e quanto ao mundo, e para reeditar interações conflitivas vivenciadas no passado, oferecendo uma possibilidade de resolução ou manutenção do conflito.


Sob a perspectiva da abordagem focada nos esquemas, a escolha se fundamenta nas representações mentais de cada parceiro, que oferecem as bases para a estruturação dos esquemas mentais. Tais esquemas organizam a experiência porque interpretam e categorizam o real, servindo de guia para a ação. Portanto, a construção da relação amorosa se dará a partir do entrelaçamento dos esquemas mentais do par conjugal, originando expectativas mútuas. Na interação conjugal esquemas primitivos são ativados, sendo que em pessoas bem ajustadas, os esquemas dão origem a uma variedade de crenças que são flexíveis e que se adequam às circunstâncias e ao momento atual. No entanto, em pessoas com transtornos emocionais ou com perfis psicológicos rígidos, os esquemas tendem a ser desadaptativos, gerando atitudes disfuncionais em muitas situações da vida.


No relacionamento amoroso, dado o grau de intimidade das pessoas, os esquemas mais primitivos são acionados de forma intensa. Assim, quando há o predomínio de esquemas adaptativos, o relacionamento se construirá a partir da soma das habilidades individuais, estabelecendo-se um clima de cooperação e cumplicidade que fortalecerá a dupla conjugal e também cada pessoa. A relação será, portanto, satisfatória e dirigida para o crescimento. Por outro lado, quando a escolha se dá com base em esquemas desadaptativos, a relação se construirá de forma perturbada, tendendo a reforçar esses esquemas por meio de pensamentos distorcidos, o que propicia um clima de insatisfação e conflito crônico.


Fotografia: Alexander Milov – Love

Texto de Maria do Céu Scribel, Maria Regina Sana e Angela Maria di Benedetto, 2007.

Fonte: PePsic - Periódicos eletrônicos em psicologia


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