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O papel das emoções na Terapia Familiar Cognitivo Comportamental (TFCC)

Atualizado: 17 de Abr de 2018

Ignorar as emoções em qualquer tipo de terapia familiar seria um grave erro. O componente emocional é um dos muitos motivos de problemas familiares que promove a procura do tratamento.


Um dos mitos mais comuns a respeito da TFCC é que esta minimiza, ou até deliberadamente ignora, o componente emocional do tratamento. As emoções podem ser definidas como uma complexa e padronizada reação do organismo a como nós interpretamos nosso desempenho na vida. As emoções expressam a medida pessoal daquilo que está acontecendo na nossa vida social. Por isso, as emoções são fator primordial para nossos relacionamentos íntimos, como os que ocorrem entrei os membros da família.


Os terapeutas cognitivo-comportamentais tendem a focar principalmente nas emoções que estão associadas com os processos cognitivos. No âmbito das interações familiares, essa questão concerne a como as emoções, sejam positivas ou negativas, estão conectadas a experiências cognitivas específicas. Desta forma, um membro da família pode parecer estar experimentando raiva, mas o terapeuta explora a cognição associada, a fim de compreender inteiramente a origem das emoções que ocorrem nas interações familiares.


Por exemplo, uma adolescente que se torna irada com seus pais porque estes não permitem que ela vá a uma festa em particular, pode revelar, quando questionada pelo terapeuta, que o que está subjacente à raiva é o sentimento de medo e vulnerabilidade à rejeição por seus colegas, caso ela não possa comparecer à festa. Assim, a cognição relacionada a esta emoção seria: “Eu posso me sentir envergonhada por não poder ir e posso estar sujeita à ridicularização e à rejeição.” Uma cognição como esta pode estar associada a uma experiência prévia de ter testemunhado uma situação similar com uma colega em que este foi rejeitado pelo grupo social, pelo mesmo motivo. Esta avaliação diferencia a emoção especificamente relacionada a uma situação, de um estado emocional mais geral que o indivíduo pode experimentar.


Na abordagem cognitivo-comportamental, o terapeuta auxilia os membros da família a identificarem como as emoções estão comumente ligadas a pensamentos específicos e ajuda os familiares a explorarem a validade das cognições que estão associadas às emoções negativas. Neste exemplo, auxiliar a filha a reexaminar o quanto o seu comparecimento à festa seria realmente crucial pode ser uma maneira de reduzir a intensidade de sua raiva.


Por fim, intervenções que ajudam os membros da família que estão perturbados a se confortarem e a reduzirem a intensidade da emoção também podem permitir que estes pensem mais claramente sobre os problemas familiares.


Texto de Frank Dattilio - Revista Brasileira de Terapias Cognitivas, 2006.

Fonte: PePsic - Periódicos eletrônicos em psicologia

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